Abelhas Sem Ferrão

Calma calma que não é de comer! Estamos falando aqui das maravilhosas abelhinhas, mais especificamente as espécies que não tem ferrão, ou melhor, das espécies de abelhas que, com o passar dos anos se adaptaram evolutivamente e assim perderam seus ferrões. Essas espécies são chamadas também de espécies nativas ou indígenas, tendo em vista sua relação específica com os biomas de cada região, assim como os povos nativos.
    Nossa relação com as abelhas é muito antiga, desde sempre os povos tradicionais manejavam e mantinham as colmeias de abelhas nativas na floresta, se beneficiando do seu mel, cera,  própolis e pólen. Existe um deus Maia bem antigo chamado Ah-Mucen-Kab que é considerado o deus do mel e é uma das referências mais antigas da relação das culturas tradicionais com as abelhas nativas.


Entendi, mas, pra que servem as abelhas mesmo?

Sem dúvida essa é uma das questões que mais as pessoas perguntam, o que a abelha faz? Qual sua importância? Só pra começo de conversa, elas simplesmente existem, e por si só já basta essa conversa. Mas quando temos uma visão mais utilitarista dessa espécie, podemos falar um pouco dos serviços ecossistêmicos que elas prestam. Mas o que é isso? Serviços ecossistêmicos são como uma “função na natureza”. Toda espécie tem uma função, e é como se fossem um parafuso de um avião, se esse parafuso cai, o avião não funciona direito e pode cair também! 

Pode não parecer mas, sem a atividade de polinização das abelhinhas não teríamos comida, esse é o maior serviço ecossistêmico que elas prestam pra nós humanos, sem dúvidas! Outro ponto importante dessa pergunta é a visão utilitarista que temos das abelhas hoje em dia, por exemplo, quando você pensa em abelha, quais são as primeiras coisas que vem a sua cabeça?

A grande maioria das pessoas responderia picada e mel, porém o que elas não sabem é que as nossas abelhas brasileiras, em sua grande maioria, se defendem de outra forma pois perderam o ferrão e produzem mel em quantidades menores, levando em conta a quantidade produzida por cada colmeia. Seus meles, diferente do mel das abelhas com ferrão (Apis melífera), passam por um processo de transformação mais química do que física, de forma a produzir um mel com mais propriedades medicinais e mais rico, levando em consideração o seu uso medicinal humano.

O sumiço das Abelhas sem ferrão 

Existem mais de 600 tipo de espécies de abelhas sem ferrão no mundo e mais de 300 são naturais aqui do Brasil, isso nos mostra como a diversidade de biomas no nosso país contribuiu para a evolução adaptativa de tantas espécies de ASF. 

A relação específica com os biomas daqui traz também uma dependência muito alta deles, isso quer dizer que com o desmatamento desenfreado e o avanço do uso de agroquímicos tóxicos utilizados em larga escala na produção agrícola, boa parte das condições que seriam naturais daquele local deixam de existir e com elas as espécies daquele bioma, sobretudo as mais sensíveis.

O uso desses inseticidas, herbicidas e outros biocidas no solo também é particularmente um super problema pois as ASF são espécies menos resistentes e basta uma visita numa flor que tenha sido borrifada com esses produtos, que toda a colméia será contaminada e provavelmente sucumbirá.

A melhor forma de ajudar e preservar nossas amigas abelhinhas é conhecendo um pouco mais sobre elas e entendendo que nosso estilo de vida, as decisões que tomamos, fazem bastante diferença no contexto geral para elas. Outra forma é se tornando guardião de uma colméia, sim é possível cuidar de uma caixinha de abelha sem ferão mesmo na cidade! Mas conversamos mais sobre isso num próximo post.

Dentro da nossa proposta, de ajudar as pessoas em uma transição para um vida mais sustentável, realizamos atividades de educação ambiental, permacultura e agroecologia para todas as idades oferecendo a oportunidade de estabelecer contato com as abelhinhas, conversar um pouco sobre e mostrar como é possível e prazeroso cuidar de um enxame, mesmo em ambiente urbano. Saibam que escrevo-lhes essas palavras bastante feliz, principalmente por poder propagar, ou melhor, polinizar um pouco mais do conhecimento que adquiri a respeito das nossas queridas Abelhas Nativas.

Se você quer saber um pouco mais, seguem nossas dicas:

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