Minhocário, maravilha ou maldição?

Nossa Live Sobre Compostagem – Não esquece da parte 2!

Peraí, deixo adivinhar… Está tendo problemas com seu minhocário? Fique tranquilo ou tranquila, vamos abordar aqui alguns pontos e procedimentos básicos que com certeza irão te ajudar nessa caminhada.

Saiba que 100% das pessoas que se propõe a iniciar nesse mundo acabam passando por algum perrengue, uma hora ou outra, portanto fique tranquilo que, se você persistir, tudo dará certo!

Cara, do que você tá falando? O que é esse negócio de compostagem?

O processo de compostagem nada mais é do que uma dinâmica que acontece naturalmente no chão da floresta. A fruta cai, as folhas caem, algum animal morre por ali, mais folhas caem e assim vai se formando um processo de ciclagem de nutrientes. Essa   dinâmica “digere” todo resíduo orgânico que está ali, disponibilizando todos os nutrientes presentes neles de uma forma mais “pronta” para ser absorvida pelas plantas. Olhar com carinho para o equilíbrio entre carbono (folhas secas) e nitrogênio (qualquer resíduo orgânico que vai ser digerido) é a receita para um sistema perfeito.

A humanidade utiliza a compostagem há muito tempo, os chineses dominaram a técnica há mais de 5 mil anos e esse conhecimento ancestral vem sendo cultivado também pelos índios que ainda sobraram aqui pelo Brasil. Através da observação da natureza, estes povos identificaram o padrão de ciclagem de nutrientes do solo na floresta, então aplicaram a mesma dinâmica observada da natureza em suas lavouras e deu super certo! Esse foi um superpoder danado de bão, demos um salto na produção agrícola a partir do aprendizado a respeito da compostagem. Conjuntamente com a grande pulo na questão da compostagem, a produção agrícola em si se revolucionou com a disseminação da Agroecologia, mas esse tema fica para um próximo post.

Dito isso, é importante entender as diversas escalas de se praticar compostagem, é possível fazer compostagem no campo, com várias toneladas de composto manejado ou no seu apartamento de 50 m² com os mesmos princípios o que muda é a escala e portanto a melhor técnica a ser utilizada.

Se for compostar o resíduo da cantina de uma escola de ensino infantil, que se alimenta majoritariamente de comidas cozidas, todos os dias da semana, melhor utilizar um processo termofílico. Já, se for compostar seu resíduo orgânico da sua casa,  melhor utilizar um processo de vermicompostagem, como o minhocário.

Quando falamos sobre minhocário, queremos dizer que está rolando um processo de compostagem porém, com ajuda das nossas amigas minhocas. Esse processo acontece dentro de recipientes portanto, fica fácil trazer para nossa casa. Mas não se engane, você está levando um processo natural para dentro da sua casa portanto, se apareceu um bicho rosa chamuscante que brilha no escuro em noites de quinta feira não se desespere! É de se esperar que eventualmente apareça algum bichinho diferente por ai, muitos deles servem de aviso para nós que o sistema carece de algum tipo de manejo. 

Segundo o Panorama de resíduos sólidos no Brasil  2018/19, geramos, cada um de nós, pouco mais de 1kg de resíduos por dia. Desse volume metade corresponde a resíduos orgânicos o que, por mês, contando 30 dias no mês, nos traz um total de 15 kg de resíduos orgânicos que cada um de nós gera.

Quando desenvolvo atividades com crianças, sobre nosso impacto na natureza, sempre trago a questão da responsabilidade sobre nossos atos. Quando penso nesse número da estrofe acima não esqueço desse mantra, seu resíduo sua responsa! Por isso não abro mão de tratar meu próprio resíduo orgânico!

Aderir a uma prática nova e tão transformadora como é a compostagem tem seus desafios, mas vale tudo muito a pena quando percebemos que todo nosso resíduo orgânico está virando composto de ótima qualidade ou quando vamos tirar o lixo e percebemos que diminuiu pela metade o volume. No fim o esforço vale super a pena quando percebemos que é simples.


Benefícios

Tratar nosso próprio resíduo orgânico em casa, além de preservar o Meio Ambiente e evitar sobrecarga dos aterros sanitários e por consequência prolongação de sua vida útil,  diminui a taxa de emissão de gases de efeito estufa, faz bem pra gente, desestressando e até auxiliando pessoas com depressão, acredita? Acho que o grande ponto de conexão entre o conhecimento ancestral e o ponto que estamos atualmente a é a capacidade  de identificar nosso superpoder de gerar adubo a partir do nosso lixo! Mesmo se você não tiver o hábito de plantar, pode doar seu composto para o vizinho, sua mãe ou avô que com certeza ficarão muito felizes com esse adubo de excelente qualidade!

 O Que eu preciso?

Para quem está começando, segue uma live que fiz onde explico como fazer um minhocário com materiais recicláveis, esse pode ser seu primeiro passo, caso ainda não tenha o seu.

Já tem seu minhocário maravilindo e belo? Então bora começar!

Como usar?

Para usá-lo é simples, coloque os restos de resíduos orgânicos no primeiro recipiente de cima (1) e cubra os com matéria seca (folhas secas ou serragem) por completo, a proporção ideal é de 1 parte de resíduo  para cada 1 parte de matéria seca (1×1). Quanto mais picado estiver o seu resíduo quando for pra composteira, mais rápido o composto fica pronto e menor a probabilidade de dar errado o processo. Assim que seu primeiro recipiente encher, passe-o para baixo de forma que ele fique no meio dos dois outros recipientes, suba o que estava embaixo (2) para parte superior da composteira e continue colocando seus resíduos pois as minhocas acham o caminho para o recipiente de cima.

Resumindo: coloque a matriz de minhocas no tambor 1, enche ele com resíduos orgânicos e depois cubra com matéria seca. Quando estiver cheio, é só trocar ele de lugar com o 2 até o 1 virar humus.

Cuidados com meu minhocário

Agora que já sabemos sobre o minhocário e aprendemos a fazer um, o grande segredo é aprender a manejá-lo e o pulo do gato para isso é prezar por nossas amigas minhocas. Atente-se aos seguintes pontos:

  1. As minhocas são sensíveis a variação de temperatura, pH e umidade, já que são 75% água, então cuidado pra não exagerar na matéria seca e nos cítricos;
  2. Sempre pique o resíduo antes de ir para o minhocário;
  3. Não leve para dentro do seu minhocário excesso de cítricos (só um pouquinho não tem problema, mas fique de olho), carnes, derivados de leite, excesso de condimentos ou excesso de comidas cozidas;
  4. Coloque o resíduo picado ocupando um dos cantos, cubra totalmente com a matéria seca e respeite a proporção de 1×1 mencionada anteriormente;
  5. Não deixe seu minhocário exposto a sol ou a chuva diretamente
  6. Para o caso de infestação de larvinhas, coloque cinza de fogueira (pode ser achadas em pizzarias que tem forno a lenha) para controlar o pH e aumente um pouco a matéria seca.

Por último mas não menos importante

O minhocário, como todos processos novos exige um pouco de dedicação e tolerância, principalmente no começo do processo, é muito comum que as pessoas desistam por que não deu certo, então já sabe,  persista! Quando conseguir deixar o sistema redondo e começar a colher seus adubos ou ver as sementinhas germinando dentro da composteira verá a beleza do processo e valerá a pena toda a dedicação, boa compostagem pra vocês e até a próxima!

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Para crianças:

A Fuga das Minhocas, de Raquel Ribeiro

E-book A Fuga das Minhocas, de Raquel Ribeiro

Lucas e a Composteira Mágica, de Chris Buarque

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Aqui estão alguns livros pra tu se inspirar:

Como Montar e Cuidar de um Minhocário Caseiro, de Gislaine Honorato

[INGLÊS] Composting for Dummies

Uma vida Sem lixo, Guia de Cristal Muniz

Minhas Plantas, de Carol Costa

Para quem trabalha em escolas, selecionamos uma dica especial: 

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